sexta-feira, janeiro 20, 2017

Edil da Matola exonera André Chacha do cargo de vereador dos Transportes

De acordo com uma fonte do Conselho Municipal da Matola, André Chacha foi exonerado, ontem, sem no entanto o edil daquele município, Calisto Cossa, revelar as razões da demissão.
Na sexta-feira da semana passada, a bancada do MDM na Assembleia Municipal da Matola convocou uma conferência de imprensa na qual denunciava a condenação de André Chacha a oito anos de prisão, pelo Tribunal Superior de Recurso de Maputo, e exigia por isso, a demissão do então vereador dos Transportes no Município da Matola.
Entretanto, o “O País” sabe que a exigência do MDM está por detrás da demissão de André Chacha.
André Chacha reagiu aos pronunciamentos do MDM, dizendo que o seu processo ainda não transitou em julgado, uma vez que recorreu ao Tribunal Supremo e este ainda não se pronunciou sobre o caso. Entretanto, veio a ser respondida a exigência do MDM, com a demissão, esta quinta-feira, de André Chacha do Município da Matola.
Antes de ser vereador, André Chacha era membro eleito da Assembleia Municipal da Matola, restando saber se este órgão vai lhe aceitar de volta, depois deste ter sido exonerado do Município.

Fonte: O País – 20.01.2017

Yahya Jammeh aceita deixar o poder na Gâmbia

Depois de forte pressão da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, Jammeh aceitou retirar-se, avança a Associated Press citando fonte do Governo senegalês.
Na rede social Twitter, o Presidente Adama Barrow, vencedor das eleições de 1 de dezembro, anunciou também que Jammeh aceitou abandonar o poder.
"Gostaria de informar que Yahha Jammeh concordou em deixar o poder. Deverá deixar a Gâmbia hoje", escreveu Barrow.
Esta sexta-feira, os Presidentes da Mauritânea e da Guiné-Conacri, Mohamed Ould Abdel Aziz e Alpha Condé, respetivamente, estiveram em Banjul, num último esforço para convencer Yahya Jammeh a deixar o poder, que detém há 22 anos. Ler mais (Deutche – 20.01.2017)

quinta-feira, janeiro 19, 2017

Os esquadrões da morte pós-trégua

E porquê a morte do Mateus Filipe Chiranga, o delegado político do MDM não me surpreende?

Sempre suspeitei e eu sempre comentei que se houver algum pacto entre a Frelimo e a Renamo, os esquadrões da morte, os ditos desconhecidos, se direccionariam ao MDM ou a qualquer partido que fosse uma verdadeira ameaça ao partido no poder. É nisto que a sociedade moçambicana e internacional têm que virar a sua atenção.



Fonte: STV – 19.01.2017

DOIS PRESIDENTES PARA AQUELE PAÍS PEQUENO?


O novo presidente gambiano, Adama Barrow, prestou juramento na tarde desta quinta-feira, na embaixada da Gâmbia no Senegal, durante uma cerimónia oficial, após a expiração do mandato do chefe do Estado cessante Yahya Jammeh, que se recusa a ceder-lhe o poder, noticiou a AFP.
Barrow prestou juramento pouco antes das 17h00 locais, perante o presidente da Ordem dos advogados da Gâmbia Sherif Tambadou, na presença de inúmeras personalidades das organizações internacionais e regionais.

Fonte: Angola Press – 19.01.2017

FMI diz que há outro “monte de empréstimos” escondidos

O volume total da dívida de Moçambique terá atingido USD 11,6 mil milhões no ano passado, destes USD 9,8 mil milhões correspondem a dívida externa
O escândalo da dívida pública moçambicana continua a dar que falar no exterior. Desta feita um funcionário sénior do Fundo Monetário Internacional (FMI) deu a conhecer, há dias em Washington DC, nos Estados Unidos da América (EUA), que Moçambique tem mais um “monte de empréstimos” não tornado público. Sem, no entanto, revelar o valor total do dito “monte de empréstimos” que permanece escondido, Sean Nolan, vice-director de Política Estratégica do FMI, recorda que “Moçambique é um alto exemplo de coisas que deram erradas”, referindo-se às dívidas contraídas nos últimos dois anos do mandato do antigo Presidente da República Armando Emílio Guebuza, que empurraram o país para o abismo.
Oficialmente, o Executivo de Maputo reconhece uma dívida estimada em mais de dois biliões de dólares norte-americanos em empréstimo, contraída pela Empresa Moçambicana de Atum (EMATUM), Proindicus e Mozambique Asset Management (MAM), com garantia do Estado, porém o FMI diz que “há mais do que foi revelado até agora”.

quarta-feira, janeiro 18, 2017

Gâmbia: Senegal solicita apoio do Conselho de Segurança da ONU

O Senegal apresentou esta quarta-feira, em Nova Iorque, um projecto de resolução ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, para apoiar os esforços da CEDEAO visando a que o presidente cessante da Gâmbia Yahya Jammeh aceita a ceder o poder após a sua derrota eleitoral, segundo os diplomatas, citados pela AFP.
Contudo, o pedido não procura explicitamente obter a autorização do Conselho para o envio de tropas na Gâmbia, acrescentaram as mesmas fontes.
Yahya Jammeh, que dirige o país com uma mão de ferro desde há 22 anos e que inicialmente aceitou a vitória de Adama Barrow ao escrutínio de 01 de Dezembro, recusa-se a transmitir-lhe os poderes, tendo terça-feira, proclamado o estado de urgência para 90 dias.
O presidente eleito foi acolhido a 15 de Janeiro no Senegal, aguardando pela sua investidura.
A Comunidade Económica dos Estados da África do Oeste (CEDEAO, 15 países), que pressiona Jammeh a deixar o poder, advertiu em várias ocasiões que poderá recorrer à força como a última alternativa.

Empresários próximos ao partido Frelimo devem ao Tesouro milhões há 18 anos

Dez das 30 empresas que entre 1999 e 2002 pediram empréstimos ao Estado moçambicano até hoje não pagaram um único centavo. Em comum, além da dívida de mais de 231 milhões de meticais, têm o facto dos seus sócios serem membros ou próximos do partido Frelimo e representarem um dos primeiros grupos de empresários bafejados pela privatização caótica e apressada que aconteceu no âmbito do Programa de Reabilitação Económica. Ademais várias das empresas devedoras são participadas pelo próprio Estado.
A maior devedora do Tesouro é a Transportes, Investimentos e Serviços, Limitada(TSL). A empresa criada no ano de 2000 por Alsone Jorge Guambe e vários parentes (Carla Maria Pereira Arrides, Leonardo Arone Mate, Leocádia Rosita Alsone Guambe, Sindy Adelaide Alsone Guambe, Hermenegildo da Conceição Alsone Guambe, Alsone Júnior Jorge Guambe e Jorge Alsone Guambe) deve 67.255 mil meticais e nunca pagou nenhuma amortização, de acordo com o Relatório sobre a Conta Geral do Estado(CGE) de 2015 elaborado pelo Tribunal Administrativo(TA).
O @Verdade apurou que a empresa aparentemente familiar, que entretanto faliu, era próxima do antigo governante Pascoal Mocumbi. Antes de fundar a TSL, Alsone Jorge Guambe já se tinha aventurado no mundo empresarial, que entretanto se abrira em Moçambique desde a década 90, e, entre outros investimentos, associou-se ao então jovem membro do partido no Poder Fernando Sumbana Júnior.
Mais recentemente dirigia os destinos do Instituto Superior de Ensino Aberto à Distância de Moçambique. Ler mais (@Verdade – 18.01.2017).

Gâmbia: Presidente decreta estado de urgência contra intervenção externa

 O presidente gambiano, Yahya Jammeh, decretou estado de emergência na terça-feira, alegando que há "um nível de ingerência estrangeira excepcional e sem precedentes" no processo eleitoral do país, num pronunciamento transmitido pela televisão.
Na sua aparição, lamentou "a atmosfera hostil injustificada que ameaça a soberania, a paz e a estabilidade do país".
O anúncio foi feito a dois dias do fim do mandato de Jammeh, que está a ser pressionado a ceder o poder ao seu adversário das presidenciais Adama Barrow, actualmente no Senegal.
O país encontra-se em crise desde que Jammeh anunciou, a 09 de Dezembro, que não reconheceria os resultados das eleições eleitorais de 01 de Dezembro. Foi uma mudança de postura radical, já que, uma semana antes, chegou a felicitar Barrow pela vitória.

“Falha no pagamento da dívida empurra-nos para uma situação de falência”, António Francisco

O académico António Francisco não compreende como é que o Governo falha o pagamento de uma dívida renegociada há menos de um ano. António Francisco diz mesmo que se o país fosse uma empresa seria dissolvido, tal como o Nosso Banco.
António Francisco reagia, em entrevista ao nosso jornal, ao anúncio, desta segunda-feira, de que o Estado vai falhar o pagamento de uma prestação de cerca de 60 milhões de dólares relativos à dívida da Ematum.
“O que acho preocupante é que, de facto, o não pagamento desta dívida surge menos de um ano depois de ter sido renegociada e a gente tem que se perguntar que renegociação foi essa, porque quem tinha informação sobre as possibilidades do não pagamento era o Governo. Os credores não tinham e nem sabiam que havia outras dívidas ocultas, mas o Governo Sabia. Então, fez a renegociação, alterou os prazos, a taxa de juro e quando surge o primeiro pagamento diz que não está em condições”, questionou o académico.  

Chacha recorre ao Supremo e processo ainda não está fechado

O vereador dos Transportes no Município da Matola, André Chacha, reagiu, ontem, à exigência do MDM, segundo a qual este devia ser demitido do cargo que ocupa, devido à condenação de oito anos de prisão, pelo Tribunal Superior de Recurso de Maputo.
Através do seu advogado, Chacha disse que o argumento do MDM não tem cabimento, porque recorreu ao Tribunal Supremo e este ainda não se pronunciou. “O acórdão do Tribunal de Recurso obrigou-nos a recorrer ao Tribunal Supremo. Agora vamos ficar à espera da decisão do Supremo. Enquanto essa condenação não transitar em julgado, enquanto não for executada a sentença, o visado é inocente”, explicou o advogado de Chacha, Damião Cumbane, realçando que “não são poucas vezes em que decisões de primeira ou segunda instância são anuladas por tribunais de outros níveis”.

Dhlakama alerta que violações estão a diluir o peso da trégua em Moçambique

O líder da Renamo, Afonso Dhlakama, alerta que as "provocações em violações da trégua" em Moçambique estão a diluir o peso do cessar-fogo de dois meses, iniciado a 03 de janeiro, e apela para um compromisso do Governo.
Numa avaliação do primeiro período da trégua, o líder da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) disse, em declarações por telefone à Lusa a partir da Gorongosa, que não houve registo de violações por confrontos militares, mas denunciou novos casos de raptos e assassínios de membros do seu partido, o que tem fragilizado o compromisso.
"Quero apelar para que haja colaboração de facto", afirmou o líder da oposição, referindo que já abordou o assunto com o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, para que "comece a aprender e a corresponder também com aquilo que a Renamo e o Dhlakama estão a fazer".
Além de vários casos denunciados nos primeiros dias da trégua pelo seu partido, o líder da Renamo disse que, na semana passada, quatro desmobilizados do braço armado da oposição, que se deslocavam desarmados dos distritos de Ile e Lugela para Morrotone, província da Zambézia, foram raptados após terem desembarcado de um autocarro próximo de uma base das Forças de Defesa e Segurança e estão desaparecidos desde então.

terça-feira, janeiro 17, 2017

Gâmbia: CEDEAO prepara intervenção militar caso Jammeh persiste em abandonar o poder

Os países da África Ocidental preparam uma intervenção militar na Gâmbia face a persistência do seu presidente, Yahya Jammeh, de abandonar o poder, numa altura em que o seu mandato expira quinta-feira, informou esta terça-feira o governo nigeriano, citado pela Prensa Latina.
Entre os Estados implicados nessa acção destacam-se a Nigéria e o Senegal, que dispõem já de forças conjuntas para um desdobramento das suas tropas em território gambiano caso Jammeh insiste em manter-se no poder.
"Tomou-se uma decisão de não permitir que o presidente cessante da Gâmbia permaneça no poder, e isso ocorrerá por meio de uma intervenção, a menos que renuncie", disse uma fonte militar, referindo-se ao governante.

Fonte: Angola Press – 17.01.2017

Gâmbia: Quatro novos ministros deixam o governo

Quatro novos ministros do presidente gambiano Yahya Jammeh, deixaram o governo, já assolado por uma série de demissões desde a sua recusa de ceder o poder ao seu sucessor eleito Adama Barrow a 19 de Janeiro, soube esta terça-feira a AFP de fonte próximo do poder.
Por outro lado, alguns oficiais que se recusaram a estabelecer aliança ao regime foram detidos nos últimos dias, segundo uma fonte securitária da oposição, que reclama pela sua libertação imediata.
A Gâmbia está mergulhada numa grave crise desde que Jammeh anunciou a 09 de Dezembro que não reconheceria mais os resultados da presidencial de 01 de Dezembro, uma semana após de ter portanto felecitado Barrow pela sua vitória.
Muitos ministros foram recentemente exonerados ou demitidos, numa altura em que Yahya Jammeh afirma querer continuar no poder enquanto a justiça não decidir sobre os seus recursos eleitorais, apesar das pressões internacionais para que o mesmo entregue o poder quinta-feira, tendo em vista a expiração do seu mandato.

MDM acusa Governo e Renamo de conspirarem contra o povo

O Movimento Democrático de Moçambique (MDM) entende que desde a cessação das hostilidades militares, por um período de dois meses, as “autoridades governamentais passeiam a sua classe nas antigas bases” da Renamo, o que sugere haver um complô entre as partes, pois, para além de que antes era impensável, ninguém sabe o que é que o Presidente da República, Filipe Nyusi, e o líder do maior partido da oposição acordaram nas suas conversas telefónicas.
As declarações do daquele partido, com 17 assentos no Parlamento, surge dias depois de Maria Helena Taipo, governadora da província de Sofala, ter visitado as antigas bases da Renamo em Sathungira e Mazembe, no âmbito de trégua decretada a 03 de Janeiro corrente, por Afonso Dhlakama, no prosseguimento do contacto telefónico com o Chefe de Estado, cujo teor é publicamente desconhecido.
“Nós pensamos que vamos implantar aqui algumas indústrias e erguer outras infra-estruturas. Eu penso que, doravante, o governo vai sentar, reflectir e verificar o que é que falta e o que é que este povo aqui precisa (...)”, disse Helena Taipo, no fim da visita àquele local já ocupado pelas Forças de Defesa e Segurança (FDS).

segunda-feira, janeiro 16, 2017

"Não é provável que Moçambique consiga ir aos mercados nos próximos anos"

O analista da NN Investment Partners Marco Ruijer considerou hoje que não é provável que Moçambique consiga aceder aos mercados financeiros nos próximos anos, acrescentando que os investidores não deverão conseguir recuperar a totalidade do dinheiro investido. 
"A situação assemelha-se a um possível incumprimento financeiro", disse o gestor à agência de informação financeira Bloomberg, comentando o anúncio de Moçambique, hoje de manhã, segundo o qual não iria pagar os quase 60 milhões de dólares da prestação de Janeiro relativa aos juros dos 726,5 milhões de dólares emitidos em dívida soberana em Abril.
"Não parece provável que Moçambique consiga facilmente voltar a aceder aos mercados financeiros nos próximos anos, o que pode indiciar um acordo ainda mais duro" para os credores, acrescentou o gestor de 7 mil milhões de dívida dos mercados emergentes e que recentemente vendeu os títulos moçambicanos que geria.

Moçambique confirma que não vai pagar dívida e entra em 'default'

O Ministério das Finanças confirmou esta segunda-feira, dia 16 de Janeiro, que não vai pagar a prestação de Janeiro, de 59,7 milhões de dólares relativos aos títulos de dívida soberana com maturidade em 2023, entrando assim em incumprimento financeiro ('default').
"O Ministério da Economia e Finanças da República de Moçambique quer informar os detentores dos 726,5 milhões de dólares com maturidade a 2023 emitidos pela República que o pagamento de juros nas notas, no valor de 59,7 milhões de dólares, que é devido a 18 de Janeiro, não será pago pela República", lê-se num comunicado disponibilizado hoje em Maputo.
No documento, Moçambique lembra que já tinha alertado em Outubro para a falta de liquidez durante este ano e salienta que encara os credores como "parceiros importantes de longo prazo cujo apoio à necessária resolução do processo da dívida vai ser crítico para o sucesso futuro do país".

Gâmbia: Presidente eleito recebido em Dakar

A Agência de Notícias Senegalesa (APS) anunciou ter sabido "de fontes oficiais" da chegada ao Senegal do Presidente eleito da Gâmbia, Adama Barrow, à madrugada de domingo.
Segundo a APS, o Presidente senegalês, Macky Sall, aceitou acolher Barrow até 19 de Janeiro de 2017, dia da sua investidura na Gâmbia, a pedido do seu homólogo da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf, presidente em exercício da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).
A decisão foi tomada à margem da cimeira África-França que terminou sábado, na capital maliana, Bamako.
A situação política na Gâmbia foi discutida pelos chefes de Estado presentes na cimeira de Bamako onde estava igualmente presente Adama Barrow.

Dívida de Moçambique é "bastante assustadora" e 'haircut' é o mais provável, avisa analista

A situação da dívida pública em Moçambique é "bastante assustadora", considerou hoje um analista da Exotix Partners LLP, prevendo que os credores vão ter de aceitar um corte no valor dos títulos de dívida ('haircut'). 
Para o analista Stuart Culverhouse, ouvido pela agência de informação financeira Bloomberg, a situação da dívida em Moçambique é "bastante assustadora", porque um rácio de 130% face ao valor do Produto Interno Bruto sugere que a dívida é insustentável e insolvente e requer um grande 'haircut', ou seja, um corte no valor dos pagamentos feitos aos credores, que pode ir de 20 a 40%, disse.
O cenário mais provável, acrescentou o director do departamento de rendimento fixo nesta consultora britânica, é que os detentores dos 726,5 milhões de dólares em títulos de dívida soberana moçambicana tenham de aceitar algum tipo de 'haircut' porque o Governo pode, caso contrário, "adoptar uma posição muito dura".

A dívida escondida

Moçambique Soberania Exodus foto.

Os centros de reeducação forjaram os "contra-revolucionários"

É que Mercedez Benz usado nesse período me parece muito periférico para discutir. A única coisa relevante é que André Matsangaissa que era chefe ainda militar, ter Mercedez Benz era ser burguês; que também nessa altura qualquer suspeita de aquisição de bens alheios ou enriquecimento ilícito, era sujeito à investigação e até lhe enviarem a um campo de reeducação.
Quanto à aquisicão de carros, houve gente que teve oportunidade de receber até à borla de portugueses que deixaram o país. Victor Terra, o meu professor na escola secundária de Nacala, teve o único carro da sua vida nessa altura. O meu falecido tio, o Ruas, também teve o único carro da sua vida. Lá em Mazua onde nasci, o José foi deixado uma carrinha pelo seu patrão Jácome. E conheço muitos que tiveram essa oportunidade.
Porque ainda não tenho certeza absoluta não estou a dizer que André Matsangaisse não tenha roubado o tal carro como nos induziram. Contudo, isso de roubo ou não não faz elevar ou descer do espaço que Matsangaissa ganhou.
Uma coisa que devia-se saber, é que os centros de reeducação forjaram a contra-revolução, contrariando os objectivos e isso pode ser o que aconteceu com André Matsangaissa. As minhas reflexões vão ao tempo que vivi no Itoculo e onde tive contactos com reeducandos do Centro de Itoculo, incluindo quem havia sido meu professor de desenho em Nacala. Sempre que falei com ele, via-se num revoltoso. Conheci, outros que eram professores, um grupo de 12 trazido da RDA (República Democrática de Alemanha) directamente ao centro, alunos do Instituto Pedagógico Industrial de Nampula. Posso dar muitos exemplos de então reeducandos que conheci e se tornaram meus amigos.
Vejam que a outra vaga de "contra-revolucionários" foi forjada pela Operação Produção.


domingo, janeiro 15, 2017

Severino Ngoenha: "Marca da governação de Nyusi ainda não foi vista”

O filósofo Severino Ngoenha defendeu que, em dois anos de governação, Filipe Nyusi não conseguiu responder aos principais problemas dos moçambicanos, considerando que a marca do quarto Presidente República de Moçambique ainda não foi vista.
"A marca real da governação de Filipe Nyusi ainda não foi vista: mais isto muda, mais é a mesma coisa", disse o reitor da Universidade Técnica de Moçambique (UDM), em entrevista à Lusa.

Segundo o filósofo moçambicano, a hipótese de Filipe Nyusi, que assumiu a liderança do país a 15 de janeiro de 2015, substituindo Armando Guebuza, não estar a conseguir fazer valer as suas posições dentro do partido parece cada vez mais evidente.

CRISE FINANCEIRA CONDICIONA CONTRATAÇÃO DE PROFESSORES EM SOFALA

A crise financeira que se faz sentir em Moçambique está a condicionar a contratação de mais professores para os vários níveis de ensino na província central de Sofala.
O facto foi revelado pelo director provincial de Educação e Desenvolvimento Humano, Manuel Chicamisse, em declarações a estacão de televisão privada STV, sobre os preparativos da abertura do ano lectivo de 2017.
Segundo Chicamisse, o Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano (MEDH), a nível da província de Sofala, contratou para o presente ano lectivo, que inicia no dia 20 do corrente mês, apenas 450 professores dos 700 necessários.
Este facto poderá ditar a manutenção do rácio professor aluno. Actualmente, um professor está para cerca de 60 alunos naquela província. Aliás, este cenário não difere muito das restantes províncias do país.
Não vamos conseguir reduzir o rácio. O rácio vai manter-se semelhante ao ano passado. Nós, como sector da educação, entendemos que caso não consigamos, obviamente que os professores deverão fazer horas extras, disse a fonte.
A província de Sofala conta actualmente com 14 mil professores para os vários níveis de ensino e 531 mil alunos distribuídos em 927 escolas.
Deste número, 23 não funcionam devido a instabilidade política que forçou a movimentação oito mil alunos e 130 professores para outros pontos, cenário que está a mudar com a trégua de dois meses declarada por Afonso Dhlakama, líder da Renamo, o maior partido da oposição em Moçambique.
Alguns locais já davam indicações de estabilidade mesmo antes da trégua. As escolas já abriam, afirmou director provincial de Educação e Desenvolvimento Humano.
Refira-se que os ataques armados da Renamo forçaram o encerramento de várias escolas.
(AIM)

Fonte AIM – 15.01.2017

UNIÃO AFRICANA NÃO VAI RECONHECER PRESIDENTE GAMBIANO

A União Africana (UA) adverte que deixará de reconhecer Yahya Jammeh como o presidente legítimo da Gâmbia depois de 19 de Janeiro corrente, data em que expira o seu mandato.
A decisão da UA surge na sequência do fracasso da última tentativa para persuadi-lo a abandonar pacificamente o poder.
Jammeh, que ascendeu ao poder após um golpe de estado em 1994, perdeu as eleições de 1 de Dezembro último a favor do seu adversário Adama Barrow. Inicialmente, Jammeh aceitou a derrota, mas uma semana decidiu rejeitar os resultados das eleições alegando irregularidades.
Em um comunicado emitido sexta-feira, no término de uma reunião em Addis Abeba, capital etíope, o Conselho de Paz e Segurança da UA advertiu sobre 'sérias consequências' se as acções de Jammeh levarem a desordem política e a 'perda de vidas inocentes'.
Também pediu às forças de segurança da Gâmbia para que 'exerçam a maior contenção' antes da investidura do presidente.

sábado, janeiro 14, 2017

A Renamo deve estar a entender o jogo?

Eu estava acompanhando o jornal da noite da STV de hoje, 13.01.2017, em que a Renamo pede a criação de inquerito para averiguar as provocações pelas forças de defesa e segurança às tréguas declaradas pelo PR e Presidente da Renamo, uma comissão em que se inclui todos os partidos políticos e toda a sociedade e todos os interessados na manutenção da paz.
A questão é como é que os outros partidos políticos, a sociedade civil e outros interessados na paz em Moçambique saberão definir a violação de tais supostos acordos de tréguas se não participaram nem testemunharam dos acordos entre Filipe Nyusi e Afonso Dhlakama.
Desde há muito defendi que devia ter sido a iniciativa da Renamo e ela a defender a participação dos outros partidos políticos e a sociedade civil nas negociações de paz para que os acordos sejam válidos.
A minha pergunta é se a Renamo já entendeu a essência da participação de todos os partidos políticos, sociedade civil e todos interessados pela paz em Moçambique? E porquê a Renamo se deixa enganar pelo veneno da Frelimo?
Nota: A Renamo é como aqueles velhos que não plantam coqueiros porque segundo os seus cálculos nunca comerão cocos dos mesmos. A Renamo lutou pela democracia e muitos de nós reconhecemo-la nisso, mas aliar-se aos monopartidaristas com o medo do multipartidarismo é condenar-se a si própria.
Desde há muito que eu disse que um dia a questão de inclusão no diálogo sobre a paz será feita como uma iniciativa genuína da Frelimo se a Renamo insistir em ver-se importante ao estar a sós com a Frelimo.